O vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, se irritou nesta sexta-feira (4) ao ser questionado sobre sua relação com o empresário José Marcos de Moura, conhecido como ‘Rei do lixo’, apontado pela Operação Overclean como líder de uma organização criminosa que desviou cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de fraudes em licitações e contratos públicos. Embora não seja investigado, ele voltou a admitir ser “amigo” de Moura.
Ao ser indagado a respeito de um possível desgaste de imagem diante de sua proximidade com o empresário, ACM Neto reagiu com irritação e chegou a interromper um repórter. “Por quê? Por quê? Eu? Primeiro eu jamais afastei a minha relação de amizade com Marcos Moura. Marcos é meu amigo e todos sabem disso e jamais foi negado em nenhum momento. Agora, daí eu ter participação, envolvimento ou responsabilidade em qualquer coisa é outra história”, respondeu.
“O que eu vi até hoje foram maldades, especulações, tentativas desesperadas de nos desgastar”, disse o ex-prefeito, referindo-se a aliados do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
ACM Neto também negou desconhecer qualquer envolvimento de membros da cúpula do União Brasil com os crimes investigados e disse não saber o motivo da acusação que recai sobre Bruno Barral, ex-secretário de Educação durante sua gestão no Thomé de Souza e um dos alvos de uma nova etapa da ação em Belo Horizonte.
“Primeiro não tenho nenhum conhecimento sobre o envolvimento da cúpula da União Brasil em investigação da operação Overclean. Depois, não cabe a mim fazer esse tipo de especulação. Vocês que são da imprensa, que fazem a leitura do cenário, podem fazer especulação. Nós aqui continuamos tranquilamente com a nossa agenda”, declarou ACM Neto a jornalistas, que foi ao lançamento da pré-candidatura de Ronaldo Caiado (União Brasil) à Presidência em 2026 na capital baiana.
Em buscas na residência de Barral, agentes federais apreenderam maços de dólares e euros, além de jóias e relógios em um cofre. Horas depois, ele foi exonerado do cargo por determinação do ministro Kássio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Perguntado a respeito de sua possível influência na ida de Barral para a capital mineira, ACM Neto negou tê-lo indicado ao então prefeito Fuad Noman (PSD), morto no último dia 26, vítima de câncer. “Foi uma escolha do prefeito de Belo Horizonte. Nós não sabemos exatamente qual é o envolvimento. Ou do que é que o ex-secretário Barral está sendo acusado. Muito difícil opinar sobre isso. Agora, a ida dele para a Prefeitura de Belo Horizonte foi escolha do prefeito Fuad no ano passado”, disse.
Barral atuou como secretário de Educação na administração de ACM Neto entre 2017 e 2018.
Em etapa anterior da Overclean, em dezembro, Flávio Pimenta foi exonerado da pasta soteropolitana sob suspeita de envolvimento na organização criminosa, segundo a PF. A gestão municipal, no entanto, não figura entre os focos da PF.