O governo da Bahia, sob a gestão de Jerônimo Rodrigues (PT), deve gastar cinco vezes mais com publicidade institucional do que com a promoção da igualdade racial e dos povos e comunidades tradicionais. A Secretaria de Comunicação do Estado lançou um edital de licitação no valor de R$ 200 milhões anuais para serviços de publicidade, monitoramento de redes sociais e comunicação digital. O contrato, com duração mínima de cinco anos, totalizará R$ 1 bilhão.
Esse montante supera o orçamento anual de diversas áreas estratégicas do estado. Enquanto a Secretaria de Turismo (SETUR) dispõe de R$ 243,4 milhões para fomentar o setor e a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB) tem R$ 161,8 milhões para garantir a sanidade agropecuária, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) opera com apenas R$ 48,8 milhões. Já a Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (SUDESB) conta com R$ 151,5 milhões e a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (SEPROMI) tem o menor orçamento entre as citadas, com R$ 33,7 milhões anuais.
O valor previsto para a comunicação também supera o investimento federal no setor: enquanto o governo baiano destinará R$ 200 milhões por ano para publicidade, o governo Lula lançou um edital semelhante, mas com valor anual de R$ 197 milhões para contratação de quatro agências.
O edital do governo Jerônimo Rodrigues prevê a seleção de cinco agências, que dividirão as demandas conforme a necessidade da Secretaria de Comunicação (Secom). A concorrência será do tipo “melhor técnica” e ocorrerá presencialmente no dia 2 de junho de 2025, na sede da Secom, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.
O gasto bilionário com publicidade levanta questionamentos sobre a prioridade da gestão estadual, uma vez que setores essenciais, como a promoção da igualdade racial, cultura e defesa agropecuária, recebem orçamentos inferiores. A disparidade entre os valores sugere que a comunicação institucional tem mais relevância para o governo do que o investimento direto em áreas que impactam diretamente a população baiana, diferente da bandeira levantada pelo gestor em seus discursos.