Diante da repercussão nacional do escândalo que envolve o genro do prefeito de São Francisco do Conde, Vinicio Costa da Conceição marido de Polyana Calmon e seu sócio Erick Machado Filgueiras, apontado como operador financeiro ligado ao núcleo mais íntimo da atual gestão, a franqueadora Bob’s enviou ao Jornal Candeias uma nota oficial esclarecendo seu posicionamento sobre as supostas irregularidades comerciais e societárias que estão sob investigação.
A marca, com mais de 70 anos de atuação no país, afirmou categoricamente que as pessoas citadas nas denúncias não integram a direção da companhia, tampouco fazem parte de qualquer instância administrativa. A empresa reforçou que, no momento da aprovação dos franqueados responsáveis pelas unidades mencionadas, não havia qualquer informação, indício ou alerta que sugerisse irregularidades, vínculos espúrios ou envolvimento dos mesmos em práticas ilícitas — confirmando que “Papito” e o genro de Calmon eram, de fato, os franqueados aprovados.
A assessoria do Bob’s destacou ainda que a empresa repudia integralmente qualquer conduta que viole seus princípios de lisura, ética e transparência, informando que acompanha de perto o caso e se reserva ao direito de adotar todas as medidas jurídicas necessárias caso seja constatada violação contratual. Por respeito institucional, a franqueadora solicitou que não fosse mais citada diretamentenas matérias relacionadas ao escândalo, afirmando que continuará acompanhando o caso apenas como rede nacional de fast-food.
Em consulta ao site da Receita Federal, o Jornal Candeias constatou que o CNPJ nº 14.384.916/0002-06 pertence a uma unidade de rua da rede, atualmente em implantação em Praia do Forte, no metro quadrado mais caro da Bahia. O empreendimento, avaliado em cerca de R$ 2 milhões, tem como sócios “Papito” e Vinicio Costa. Já o CNPJ nº 58.976.286/0001-25 corresponde a outra unidade, instalada dentro do atacadista Assaí, na Avenida Paralela, em Salvador, com investimento estimado em mais de R$ 1 milhão, também tendo como sócios o operador e o genro do prefeito.
A abertura de duas franquias de alto custo em menos de seis meses chama a atenção pela rapidez e pelo volume financeiro, especialmente em meio a investigações que miram empresas próximas ao grupo político de Calmon — como os pagamentos milionários destinados à Supernutre, empresa pertencente ao sócio do genro, e os contratos suspeitos envolvendo a Clínica Moderna, operada em nome da esposa do operador “Papito”.
Informações obtidas pela reportagem confirmam que o contrato nacional da rede Bob’s estabelece que franqueados não podem ser Pessoas Politicamente Expostas (PEP) nem manter vínculos políticos diretos, com o objetivo de evitar riscos reputacionais e impedir que a marca seja utilizada como fachada para atividades alheias à operação legítima. Caso tenha havido violação dessa cláusula — por omissão, falsidade ideológica ou informação incompleta — a franqueadora pode rescindir imediatamente o contrato, como já ocorreu em outros casos no mercado de franquias.
A repercussão do escândalo ganhou dimensão nacional, envolvendo suspeitas de movimentações patrimoniais paralelas, contratos milionários, abertura acelerada de negócios e possível uso de estruturas comerciais para fins que extrapolam a atividade empresarial. Diante da gravidade das denúncias, a marca decidiu se posicionar prontamente.
A rede Bob’s conclui afirmando que não tem qualquer relação com as práticas denunciadas, ressaltando que toda responsabilidade pelos atos investigados recai exclusivamente sobre os indivíduos citados. Cabe à Justiça esclarecer a eventual utilização indevida da estrutura de franquias para movimentações financeiras paralelas, reforçando que a empresa adotará todas as medidas necessárias para proteger sua imagem e seus padrões éticos.











