A crise do transporte público em São Francisco do Conde atingiu seu ápice neste domingo, depois que a Atlântico Transportes suspendeu totalmente as operações por falta de pagamento da prefeitura um calote que já ultrapassa 10 meses. A cidade amanhecerá imobilizada, com a garagens vazias, ônibus recolhidos e nenhuma alternativa para trabalhadores, estudantes, moradores de distritos e, principalmente, universitários que entram na semana decisiva de provas. O calote de Calmon chega em todo Brasil.
A notícia da suspensão total dos serviços repercutiu com força nas redes sociais e nas comunidades, e deu início a uma onda crescente de indignação popular. Moradores relatam o “caos anunciado”, estudantes denunciam que ficarão impossibilitados de ir às provas, trabalhadores afirmam estar isolados, e veículos essenciais inclusive da saúde e de secretarias também serão recolhidos, paralisando serviços básicos.
Diante da falta de resposta do prefeito Antônio Calmon e do silêncio da gestão, grupos de moradores, estudantes, trabalhadores e lideranças comunitárias começaram a se mobilizar desde a tarde deste domingo. Convocações circulam em redes sociais, bairros, escolas e grupos de WhatsApp, chamando a população para um ato público nesta segunda-feira (01), às 9h, em frente ao Ministério Público, e outro protesto ampliado na terça-feira (02), caso não haja solução imediata.
Segundo os organizadores, o objetivo é exigir que o MP atue diante do colapso generalizado na mobilidade, do atraso de salários, da interrupção do transporte escolar e universitário e da exposição da população a riscos humanitários. “Não dá mais para aceitar esse abandono”, afirma um estudante em um vídeo que viralizou na noite de hoje. “Se não tem ônibus para ir pra faculdade, vamos a pé até o Ministério Público. Vamos cobrar respeito.”
Trabalhadores de Campinas, Monte Recôncavo, Suape relatam que não conseguirão chegar ao trabalho. Moradores dizem estar “presos dentro de casa”. Enquanto isso, a prefeitura não se pronuncia oficialmente sobre como pretende resolver o calote. A Atlântico Transportes afirma ter enviado diversas notificações à gestão municipal ao longo do ano todas ignoradas. Na sexta-feira (28), protocolou notificação extrajudicial comunicando a suspensão imediata das atividades. A expectativa é que os protestos desta segunda e terça reunam um grande número de pessoas, pressionando o Ministério Público a tomar medidas urgentes para garantir o mínimo de dignidade e funcionamento básico da cidade.











