Os números oficiais da arrecadação municipal de São Francisco do Conde durante a gestão de Antônio Calmon escancaram um dos maiores paradoxos da história recente do município: quanto mais dinheiro entrou, mais o povo sofreu. Entre 2021 e 2025, a Prefeitura movimentou cifras bilionárias, absolutamente incompatíveis com a realidade de abandono, fome, colapso de serviços públicos e sofrimento social vivida pela população. Uma série de reportagens a partir desta segunda feira (12) vai revelar para o Brasil, como essa arrecadação serviu pra enriquecer as duas famílias do gestor, enquanto o povo morre de fome.
Durante essa semana, o Jornal Candeias, recebeu de um ainda “aliado” do prefeito, que descobriu uma grande traição, numero e detalhes de transações, ainda mais assustadores. O agente politico entregou fotos de casas, empreendimentos, prints, conversas gravadas, localizações, denuncias que irão tornar a cidade de São Francisco ainda mais envergonhada. Cerca de 45 horas de gravações e depoimentos colhidos durante essa semana vão sacudir o país, e irão desmontar de vez os “poderosos” que acreditaram tanto na impunidade que transacionaram recursos públicos, por empresas de operadores e familiares, oficiais ou não.
Em 2025, a arrecadação total foi de R$ 631.963.401,00. Em 2024, o município alcançou R$ 881.886.826,00. No ano de 2023, o valor foi ainda maior: R$ 902.142.615,00. Já em 2022, a arrecadação somou R$ 761.774.653,00. Em 2021, o município arrecadou R$ 712.470.533,64 em receitas. Somados apenas esses cinco anos (2021 a 2025), São Francisco do Conde arrecadou R$ 3.890.238.028,64, quase R$ 4 bilhões passando pelos cofres municipais sob o comando de Calmon. Um volume financeiro capaz de transformar a cidade em referência nacional em saúde, educação, mobilidade e assistência social. No entanto, o que se vê são obras inacabadas, escolas fechadas, serviços paralisados e um povo empurrado para a miséria, enquanto o patrimônio do prefeito e de sua família cresce de forma acelerada, chamando a atenção de investigações que avançam nos bastidores e de uma grande operação que se aproxima.
E, ainda assim, o que se vê nas ruas é o oposto do progresso. Mesmo figurando entre os maiores PIBs per capita do Brasil, São Francisco do Conde terminou 2025 com transporte universitário suspenso, bolsas estudantis atrasadas, programas sociais desmontados, trabalhadores demitidos por calotes da prefeitura, obras paradas, hospital em crise, Natal sem luz, fome nos bairros e uma população humilhada pelo abandono do poder público.
Para além do sofrimento social, cresce a suspeita de que o dinheiro não desapareceu por acaso. Denúncias, reportagens e investigações apontam que parte expressiva dessa arrecadação foi drenada por contratos milionários, gastos desproporcionais, prioridades distorcidas e práticas que a população associa à corrupção, enquanto o básico, comida, transporte, saúde e dignidade foi sendo sistematicamente retirado do povo. Nesse cenário, chama atenção o que especialistas e observadores descrevem como manobra contábil e manipulação de dados, atribuídas à empresa contábil GRADUS, responsável pela contabilidade do município. O Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) de 2025, por exemplo, apresenta apenas dois bimestres divulgados, com a última atualização em maio de 2025, o que levanta fortes indícios de pedaladas fiscais e ocultação da real situação financeira do município que será denunciado amanhã pelo Jornal ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). A transparência, princípio básico da administração pública, vem sendo negada.
A pergunta que ecoa em São Francisco do Conde é simples e devastadora: como uma cidade que arrecadou quase R$ 4 bilhões em cinco anos pode impor tanta miséria à sua população? Onde foi parar esse dinheiro? Por que estudantes abandonaram cursos, famílias passaram fome e trabalhadores ficaram sem salário em um município que nada em royalties do petróleo, ICMS e transferências federais? A era Calmon entra para a história não pela falta de recursos, mas pela incapacidade, ou falta de vontade de transformar arrecadação recorde em justiça social. E, a partir desta segunda-feira (12), o Jornal Candeias irá tirar as cortinas e mostrar todo ralo por onde o dinheiro escorreu: será uma semana de NITROGLICERINA PURA.











