Entraram em vigor nesta quarta-feira (14) as novas regras e valores para emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na Bahia. Em Salvador, a mudança já provocou uma queda expressiva nos preços praticados pelas autoescolas, que passaram a oferecer pacotes mais enxutos e acessíveis para evitar o fechamento das portas.
Com o fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas, Centros de Formação de Condutores (CFCs) da capital baiana passaram a anunciar planos a partir de R$ 236. Antes das alterações, o custo para tirar a CNH em Salvador chegava a R$ 1,8 mil, conforme levantamento anterior.
Ao todo, 13 autoescolas foram consultadas. Apenas três já divulgaram oficialmente os novos valores, enquanto as demais aguardam a atualização completa do sistema do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), finalizada nesta quarta.
Na Top Autoescola, no Caminho de Areia, o pacote básico inclui matrícula, material didático, aulas teóricas on-line, aluguel do veículo e duas aulas práticas de carro e duas de moto, por R$ 820. Planos mais completos, com seis ou dez aulas práticas em cada categoria, variam entre R$ 1.780 e R$ 2.660. Já os pacotes mínimos, com apenas duas aulas, custam R$ 480 (moto) e R$ 520 (carro).
Na Autoescola Dirija Bem, no Chame-Chame, o combo com duas aulas de moto, duas de carro e uma tentativa de exame prático sai por R$ 560. Os planos mais básicos custam R$ 236 para moto e R$ 324 para carro. Pacotes mais amplos podem chegar a R$ 3.300, a depender da quantidade de aulas.
Em Periperi, a Habilite-se oferece plano básico para a categoria A por R$ 479,90, com quatro aulas práticas e material didático. Para a categoria B, o valor é R$ 719,90. O pacote com as duas categorias custa R$ 1.149,90.
Diferença de valores
Segundo o Sindicato das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores da Bahia (Sindauto-BA), a variação de preços ocorre porque cada estabelecimento tem autonomia para montar seus próprios pacotes. Existe apenas um valor mínimo sugestivo, calculado por economista, para garantir a viabilidade financeira e a qualidade do serviço.
“O objetivo é manter a sustentabilidade das empresas e a segurança na formação dos condutores”, explicou o presidente do Sindauto-BA, Wellington Oliveira.
Os antigos valores de referência eram R$ 1.827,12 para a categoria A (moto) e R$ 2.236,54 para a B (carro). Com as novas regras, os valores sugestivos caíram para R$ 400 e R$ 600, uma redução de até 78%.
Custos que não podem ser cobrados
O sindicato reforça que autoescolas não podem cobrar pela emissão de laudos, pela Licença de Aprendizagem de Direção Veicular (LADV) nem pelos exames médicos e psicológicos, que são pagos diretamente ao Detran-BA ou às clínicas credenciadas.
Além das aulas, o candidato ainda arca com taxas obrigatórias. O Registro Nacional de Carteira de Habilitação (Renach) passou de R$ 275,93 para R$ 180. A prova teórica custa R$ 90, assim como o exame prático (com direito a duas tentativas). A impressão da CNH sai por R$ 50. No total, as taxas giram em torno de R$ 500 para as categorias A e B juntas.
O que muda na CNH
As mudanças foram aprovadas por unanimidade pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) em dezembro. Entre os principais pontos estão o fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas, a flexibilização da carga horária prática — que cai de 20 para duas horas — e a possibilidade de redução de até 80% no custo total da habilitação.
O curso teórico passa a ser oferecido gratuitamente e de forma on-line pelo Ministério dos Transportes, embora o candidato ainda possa optar pelas aulas presenciais. A CNH continuará sendo concedida apenas para quem for aprovado nas provas teórica e prática.
“As aulas não garantem, por si só, que alguém esteja apto a dirigir. O que garante é a prova”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho, destacando que o novo modelo segue padrões adotados em países como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá.
Sensação
Vento
Umidade
