Desde a decisão judicial que determinou o pagamento imediato dos salários atrasados dos servidores de São Francisco do Conde, o prefeito Antônio Calmon passou a adotar uma estratégia que, nos bastidores do poder, já é descrita como fuga deliberada da Justiça. Passado dias da liminar que o obriga a quitar os vencimentos, oficiais de Justiça ainda não conseguiram localizá-lo para a devida notificação, situação que causa perplexidade diante da gravidade do caso.
Informações obtidas pelo Jornal Candeias junto a servidores da própria Procuradoria Jurídica do Município, sob condição de anonimato, indicam que Calmon teria acertado informalmente que só será notificado na próxima segunda-feira. A intenção, segundo as mesmas fontes, é realizar o pagamento apenas na terça-feira seguinte, numa tentativa clara de construir a narrativa de que não cumpriu o pagamento por imposição judicial, mas por “vontade própria”.
A manobra, no entanto, não se sustenta juridicamente. Os salários cobrados pela Justiça são referentes ao mês de dezembro e já estão inscritos em restos a pagar, ou seja, não dependem de novo orçamento, como o prefeito tem alegado. A tentativa de transferir a responsabilidade para a empresa contábil GRADUS, sob o argumento de inexistência de dotação orçamentária, é vista por técnicos como inconsistente e enganosa, já que a obrigação financeira é anterior e plenamente reconhecida pela própria administração.
Nos bastidores políticos, a leitura é ainda mais grave. Calmon estaria mantendo os salários em atraso como instrumento de pressão direta sobre vereadores, numa tentativa de forçá-los a manter os vetos impostos às emendas parlamentares que devolveram recursos às áreas sociais. Ou seja, o salário do servidor estaria sendo usado como moeda de chantagem política, prática que afronta frontalmente a Constituição, a moral administrativa e a própria decisão judicial.
Não é a primeira vez que o prefeito demonstra desprezo por ordens judiciais. Ao longo da gestão, decisões da Justiça e recomendações do Ministério Público vêm sendo sistematicamente ignoradas, criando um padrão de confronto institucional que empurra São Francisco do Conde para uma crise cada vez mais profunda.
Enquanto Calmon se esconde, posterga notificações e ensaia discursos para justificar o injustificável, milhares de servidores seguem sem salário, passando dificuldades, humilhados por uma gestão que trata direitos básicos como favor político. A Justiça determinou . Resta saber se, mais uma vez, o prefeito vai tentar peitar o Judiciário ou se será finalmente obrigado a cumprir a lei. Porque fugir da Justiça pode até atrasar a verdade, mas não apaga os fatos.
São Francisco do Conde - BA São Francisco do Conde é uma cidade de forte herança histórica e cultural, marcada pela fé, pela tradição e pela resistência do seu povo. Rica em história e estratégica na Região Metropolitana de Salvador, carrega contrastes profundos entre potencial econômico e realidade social. São Francisco do Conde segue como um território de memória, luta e esperança por dias mais justos e prósperos para sua população. Sensação
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