A votação dos vetos do prefeito Antônio Calmon à Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 foi adiada pela Câmara Municipal de São Francisco do Conde, conforme aviso de convocação publicado no Diário Oficial do Legislativo. A sessão extraordinária, que ocorreria para deliberar sobre os vetos e projetos de créditos adicionais, acabou sendo remarcada, aumentando ainda mais a tensão política em torno do tema.
O adiamento confirma o que o Jornal Candeias (JC) vem alertando desde o início: os vereadores que aprovarem os vetos de Calmon irão assumir sozinhos o desgaste político, passando a ser vistos pela população como corresponsáveis diretos pelos cortes em programas sociais, estudantis e ações voltadas aos mais pobres. Nos bastidores, o clima é de insegurança e medo da reação popular.
Segundo informações apuradas pelo JC, muitos vereadores não querem votar neste momento, justamente pelo receio de “ficar com a conta” diante do povo. A avaliação interna é de que a aprovação dos vetos representaria uma espécie de sentença política, especialmente em um contexto de salários atrasados, crise social, calotes em programas públicos e forte desgaste da gestão municipal.
Outro fator que pesa no adiamento é o cenário interno da própria Câmara. Caso a votação ocorresse agora, o presidente da Casa, Nem do Caípe, não poderia votar nem desempatar, já que se encontra de férias em Gramado. O detalhe não passou despercebido pelos parlamentares: foi justamente Nem do Caípe quem, em votação anterior, desempatou contra o povo no episódio do programa Pão na Mesa, decisão que até hoje repercute negativamente.
Sem a presença do presidente para conduzir ou desempatar a sessão, o risco de derrota dos vetos cresce e, com ele, a tentativa de ganhar tempo. O adiamento, portanto, é visto por fontes do Legislativo como uma manobra para reorganizar forças, tentar convencer vereadores indecisos e reduzir o impacto político de uma decisão impopular.
Enquanto isso, a responsabilidade segue clara: a caneta agora está na mão dos vereadores. Se os vetos forem mantidos, não haverá mais como transferir a culpa apenas para o Executivo. O povo já entendeu o jogo e, como alertou o JC, quem votar contra os interesses da população será lembrado nas ruas, nas redes e nas urnas.
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