A oposição ao governo da Bahia deu um passo estratégico nesta segunda-feira (30) ao anunciar, em Feira de Santana, a formação de sua chapa para as eleições estaduais. O evento, realizado na CDL do município, foi articulado pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), uma das principais lideranças políticas do interior baiano e nome decisivo na construção da unidade do grupo.
A composição apresentada traz ACM Neto como candidato ao governo, tendo como vice o prefeito de Jequié, Zé Cocá. Para o Senado, foram anunciados Ângelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL). O ato reuniu deputados estaduais, federais e pré-candidatos, marcando o início de uma ofensiva política da oposição no estado.
Embora o anúncio tenha caráter político e simbólico, a oficialização da chapa ainda depende das convenções partidárias, previstas para agosto. Até lá, o grupo pretende percorrer diversas regiões da Bahia com o objetivo de construir um programa de governo participativo e fortalecer sua presença no interior.
A escolha de Feira de Santana como palco do lançamento não é apenas simbólica, mas estratégica. Considerada o principal entroncamento do interior baiano, a cidade representa um dos maiores colégios eleitorais fora da capital e tem peso decisivo em disputas estaduais. O movimento reforça a leitura de que a eleição de 2026 será decidida fora de Salvador.
Para ACM Neto, o interior da Bahia passa a ser o eixo central da estratégia eleitoral. Na última eleição para o governo, ele obteve ampla vantagem na capital, onde construiu sua trajetória política, mas acabou derrotado no resultado geral por uma diferença inferior a 400 mil votos. O desempenho expressivo em Salvador não foi suficiente para compensar a força do adversário no interior, onde o grupo governista manteve ampla capilaridade política.
Diante desse cenário, a nova articulação da oposição busca corrigir exatamente esse ponto: ampliar presença, alianças e discurso fora da capital. A escolha de Zé Cocá, prefeito do sudoeste baiano, e a forte atuação de José Ronaldo, liderança consolidada no interior, indicam um esforço claro de interiorização da campanha.
O grupo também pretende enfrentar o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), que chega ao cenário eleitoral com desgaste político. Avaliações recentes apontam índices de reprovação na casa dos 55%, colocando-o como o governador petista com pior desempenho de aprovação no estado. Nos bastidores, o governo ainda enfrenta dificuldades para fechar sua chapa completa, especialmente na definição do nome para vice, diante de recusas de aliados e adversários.
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