O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quinta-feira (2), reforça o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Estudos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que uma em cada 100 pessoas está dentro do espectro, mas muitos adultos só chegam ao diagnóstico após décadas de sofrimento emocional, dificuldades sociais e sensação constante de inadequação.
Especialistas alertam que reconhecer sinais menos óbvios pode ser decisivo para antecipar os cuidados e aumentar a qualidade de vida. De acordo com a terapeuta transpessoal sistêmica Marcela Santana, coautora do livro “Além do Diagnóstico”, lançado em janeiro, o autismo na vida adulta ainda é invisibilizado e frequentemente confundido com traços de personalidade ou questões emocionais isoladas.
“O diagnóstico tardio não apaga uma vida inteira de tentativas de se encaixar em um mundo que pouco compreende as diferenças”, afirma a especialista, que também atende crianças e adolescentes mas percebe a necessidade de estender o olhar para adultos que cresceram sem o diagnóstico.
Com experiência que une a psicopedagogia e a clínica terapêutica, Marcela Santana defende que o diagnóstico tardio é um convite à reflexão sobre a exclusão social. “Cuidar da saúde mental deve ser uma prioridade diária. Falar sobre autismo adulto é prevenir que problemas maiores encontrem espaço para crescer na vida de quem passou décadas sem respostas”, conclui.
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