A ocorrência registrada na localidade da Lajinha, no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador, que culminou na morte do menino David Luiz, de 11 anos, nesta sexta-feira (01/05), escancara uma tragédia que não pode ser relativizada. A tia da criança foi baleada e segue internada no Hospital Geral do Estado (HGE). Dois traficantes morreram. É sempre o mesmo roteiro: espera o problema acontecer e depois quer resolver com tiros. Há três dias tinham confrontos entre facções na região.
O Informe Baiano apurou com fontes das polícias Civil e Militar detalhes da investida. As investigações iniciais apontam que a tia tentou correr com a criança para evitar que ambos fossem feitos reféns. Nesse momento, traficantes teriam efetuado disparos.
A apuração também revela que os traficantes do Bonde do Maluco (BDM) invadiram duas residências. Em uma delas, estavam uma mulher e uma criança. Ao tentarem fugir, foram atingidos. Em seguida, houve novo confronto com o Batalhão Patamo, que terminou com a morte de um dos resistentes.
Os locais analisados revela. ambientes internos, fechados, com diversas perfurações nas paredes, manchas de sangue e estojos de calibres .556 e .380. No segundo imóvel, onde a família foi atingida, também foram encontrados indícios de intenso confronto, além de material balístico. Do lado de fora, um saco com estojos deflagrados.
Por que insistir em ações policiais sem o uso efetivo de inteligência? A política de confronto é a solução para acabar com o crime organizado? Houve protocolo especializado? Se fosse em um bairro nobre, a abordagem seria a mesma? Existe realmente uma diretriz para redução da letalidade policial? Então por que isso não foi seguido? Por que não houve uma ação mais estratégica, mais controlada?
A comunidade não pode pagar essa conta. Não existe território onde a regra deixe de valer. Não existe lugar onde vidas inocentes possam ser colocadas em risco como efeito colateral.
É preciso dizer com todas as letras: ação policial não pode atingir quem não tem nada a ver com o confronto. Não se questiona aqui a morte dos traficantes. O que está em discussão é a morte de uma criança de 11 anos e uma trabalhadora baleada dentro de casa.
E essa tragédia, governador, poderia ter sido evitada. Quanto aos policiais envolvidos, agora poderão ser presos. Aos demais que insistem nessa aventura que pode termina em tragédia, acordem. E sim, a investigação precisa ser rigorosa, séria e transparente. Porque o certo é o certo. E o errado precisa ser cobrado.
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