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Caso Master

Caso Master: Wagner procurou André Mendonça para se explicar uma semana antes de operação da PF

Senador foi visto em conversa com diretor da PF quando operação já estava decretada por André Mendonça

30/06/2026 08h57
Por: Redação
Fonte: Globo

O senador Jaques Wagner (PT-BA) procurou o relator do caso Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, para prestar explicações sobre sua relação com o ex-sócio do banco Augusto Lima e com Daniel Vorcaro, uma semana antes da operação que fez buscas e apreensões em sua casa na Bahia e no hotel em Brasília onde mora. A iniciativa gerou estranhamento e suspeitas entre os investigadores, que por ocasião da audiência já preparavam a 9ª etapa da Operação Compliance Zero, em que o alvo era justamente o petista.

O objetivo de Wagner na audiência com Mendonça era apresentar argumentos para dizer que não havia nada de errado nem na relação pessoal com os donos do Banco Master e nem nos contratos de sua nora, Bonnie de Bonilha, com o ecossistema de Vorcaro. O senador também explicou a implantação do Credcesta na Bahia, produto de crédito consignado no Master, da mesma forma que já vinha fazendo em entrevistas.

Por ocasião da visita de Wagner ao Supremo, a representação da Polícia Federal (PF) que pedia a Mendonça autorização para realizar as buscas já tinha sido assinada. A data do documento é 10 de junho. Um vídeo publicado pela repórter do GLOBO Jennifer Gularte mostrou que, um dia antes, em 9 de junho, o senador e o diretor da PF, Andrei Rodrigues, conversaram a sós nos bastidores de um evento da Presidência da República no Palácio do Planalto. As buscas da PF ocorreram no dia 18. Na semana passada, o parlamentar deixou a liderança do governo no Senado Federal após uma conversa com o presidente Lula.

No vídeo, é possível ver o senador falando e gesticulando para o delegado, que o escuta atentamente. Não é possível saber o teor do diálogo. Procurados na ocasião, Andrei Rodrigues e Jaques Wagner não se manifestaram.

Questionado pela equipe da coluna sobre por que decidiu pedir uma audiência com o relator do caso Master na semana anterior à operação, Wagner preferiu não se manifestar.

Dólares e euros

Durante a ação, foram apreendidos 55 mil dólares e 33 mil euros no quarto de hotel onde ele se hospedava em Brasília e no apartamento de Wagner em Salvador, além de documentos e do celular dele.

Embora o senador tenha afirmado em uma entrevista à Folha de S. Paulo que o dinheiro foi recebido ao longo dos anos do Senado por diárias em viagens ao exterior e estava em envelopes da Casa, não foram encontrados envelopes do Senado em nenhum dos endereços visitados pela PF. Além disso, a quantia encontrada é um pouco maior do que o que Wagner recebeu em diárias desde 2019.

Na decisão que autorizou a operação, Mendonça escreveu que Augusto Lima “atuou como canal de interlocução” com Jaques Wagner sobre temas prioritários para o banco de Vorcaro, encaminhando ao senador notícias sobre rating, estrutura acionária, CPI do Master, além da operação de venda para o BRB, que foi barrada pelo Banco Central em setembro do ano passado.

De acordo com a PF, a relação entre Wagner e Augusto Lima seria “marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”.

Em 2018, Lima articulou junto a Wagner, então secretário da Fazenda da Bahia, a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), rede estatal de supermercados do governo estadual. O primeiro certame não atraiu interessados, e o empresário sugeriu ao petista que incluísse um cartão de benefícios de modelo consignado no edital. O projeto foi o embrião do Credcesta, que caiu no colo do Master pouco tempo depois.

A investigação encontrou indícios de que o senador recebeu pagamentos do Master durante anos pela empresa da nora, viajava com frequência nos jatos de Daniel Vorcaro e ainda recebeu um apartamento de presente em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões.

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