Depois da denúncia do “Asfalto de Ouro” (veja aqui) que revelou contratos milionários de pavimentação sem correspondência visível nas ruas de São Francisco do Conde, a gestão do prefeito Antônio Calmon protagoniza agora um novo capítulo ainda mais constrangedor: o “Asfalto Invisível”. Nossa reportagem esteve in loco na obra de pavimentação do Alto da Santa Rita, executada pela Comtech Engenharia Ltda, consumiu R$ 27.151.043,46 e segue inacabada, cercada por tapumes, abandono e vias que permanecem exatamente como antes do início dos trabalhos.


As imagens feitas no local são incontestáveis. Não há pavimentação concluída, não há drenagem funcional, não há sinalização e tampouco acabamento compatível com um contrato desse porte. O bairro continua convivendo com poeira, lama, buracos e improviso, enquanto a placa oficial anuncia um investimento que simplesmente não se materializou no chão.


O escândalo ganha contornos ainda mais graves quando técnicos e engenheiros ouvidos pelo Jornal Candeias confrontam valores pagos com a execução física. Segundo esses profissionais, se dividir o que foi efetivamente desembolsado pelo que efetivamente foi feito, o “metro” da obra na gestão de Calmon mede cerca de “30 centímetros”. Pelo apurado as obras não tem uma estrutura completa de pavimentação asfáltica, com base, sub-base, drenagem e capa como exige qualquer contrato sério. Em termos técnicos, isso indica discrepância gritante entre medições financeiras e execução real, cenário típico de medições infladas e fiscalização falha.

A responsabilidade recai sobre a Secretaria de Infraestrutura, comandada pelo secretário Luizinho, e pelo prefeito Calmon, que já anda assustado com o resultado das revelações denunciadas pelo JC. Essa denúncia pode configurar dano ao erário e improbidade administrativa. O histórico da Comtech Engenharia reforça os alertas: a empresa já foi alvo de denúncias anteriores do Jornal Candeias, tendo recebido nos últimos anos mais de R$ 170 milhões de reais em obras de manutenção incluindo a tentativa de um aditivo de cerca de R$ 10 milhões, posteriormente revertido após a revelação de inconsistências, como datas erradas e indícios de irregularidade na formalização.
O caso do Alto da Santa Rita dialoga diretamente com a denúncia do “Asfalto de Ouro” publicada nesta semana: contratos vultosos, preço elevado por metro quadrado e ausência de resultados visíveis nas áreas pavimentadas. Agora, o roteiro se repete com números ainda mais escandalosos. R$ 27 milhões gastos, obra inacabada e ruas que continuam como antes. Muito dinheiro no papel, pouco, ou nenhum asfalto no chão. Quando o asfalto vira invisível, o dinheiro público some, e quem paga a conta é a população, que segue sem infraestrutura, sem dignidade e sem respostas.
O Jornal Candeias continuará acompanhando o caso, reunindo documentos, ouvindo técnicos e cobrando explicações. Porque, depois do Asfalto de Ouro, a cidade não pode aceitar o Asfalto Invisível como novo padrão. E a cidade não para de perguntar: até quando a justiça vai permitir que Calmon continue realizando tanto desrespeito a população?
São Francisco do Conde - BA São Francisco do Conde é uma cidade de forte herança histórica e cultural, marcada pela fé, pela tradição e pela resistência do seu povo. Rica em história e estratégica na Região Metropolitana de Salvador, carrega contrastes profundos entre potencial econômico e realidade social. São Francisco do Conde segue como um território de memória, luta e esperança por dias mais justos e prósperos para sua população. Sensação
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