Mesmo figurando há meses no noticiário policial, nos relatórios dos órgãos de controle e em sucessivas crises administrativas, os municípios de São Francisco do Conde e Madre de Deus irão receber recursos públicos para a realização do Carnaval. As duas cidades, hoje na mira da Justiça, foram contempladas pelo Governo do Estado da Bahia com verbas destinadas à festa de 2026.

De acordo com a divulgação oficial, Madre de Deus receberá R$ 580 mil, enquanto São Francisco do Conde ficará com R$ 480 mil, valores repassados por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur). O discurso oficial fala em incentivo cultural, fortalecimento do turismo e estímulo à economia local. Na prática, porém, os repasses reacendem um alerta vermelho.
As duas cidades carregam um histórico pesado de escândalos, denúncias e investigações, que colocam sob suspeita qualquer novo fluxo de dinheiro público, especialmente quando destinado a eventos festivos. Madre de Deus vive um dos momentos mais delicados de sua história administrativa.

A cidade acumula denúncias de má gestão, conflitos políticos internos, desgaste institucional e investigações envolvendo contratos, gastos públicos e decisões administrativas questionáveis. O cancelamento de eventos, a instabilidade política e o descrédito popular escancararam uma gestão fragilizada, distante das reais necessidades da população.
São Francisco do Conde: dinheiro não falta, mas a crise é permanente
Já São Francisco do Conde é um velho conhecido dos órgãos de controle. O município, apesar de figurar entre os que mais arrecadam na Bahia, se tornou símbolo de obras inacabadas, contratos milionários sob suspeita, denúncias de desperdício de dinheiro público e investigações recorrentes.
A cidade convive com bairros abandonados, obras paralisadas, infraestrutura precária e uma população que não vê retorno proporcional à riqueza que entra nos cofres públicos. O Carnaval, mais uma vez, surge como cortina de fumaça, enquanto problemas estruturais seguem sem solução.
Diante do histórico recente e da fama nada positiva dos gestores dessas cidades, é imprescindível que o Ministério Público (MP) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) acompanhem cada centavo desses repasses. Não se trata de criminalizar a cultura ou o Carnaval, mas de reconhecer que dinheiro público em mãos erradas vira problema anunciado. A população já aprendeu, da forma mais dura, que festas não resolvem crises, não apagam escândalos e não devolvem a dignidade perdida pela má gestão.
Madre de Deus - BA Madre de Deus é uma cidade-ilha marcada pela beleza natural, pela força do seu povo e por uma história ligada ao mar e à indústria do petróleo. Com paisagens únicas, cultura viva e identidade forte, Madre de Deus segue como símbolo de resistência, pertencimento e amor à terra, onde cada canto carrega memória, luta e esperança de dias melhores. Sensação
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