
Em São Francisco do Conde, os números expõem um paradoxo cruel que salta aos olhos de qualquer cidadão: há dinheiro de sobra para contratos e obras milionárias no papel, mas falta o básico para pagar salários e manter programas sociais essenciais. Enquanto a Prefeitura assina e executa contratos que somam dezenas e até centenas de milhões de reais, a população enfrenta calotes sucessivos, atrasos e a completa insegurança social. Ontem (15) a justiça determinou que prefeito pague o salário do povo sob pena de multa diária.

De um lado, a gestão do prefeito Antônio Calmon mantém obras e serviços com cifras elevadíssimas, muitas delas questionadas pela execução precária, medições controversas e resultados invisíveis nas ruas. Contratos robustos seguem sendo pagos, empenhados ou mantidos ativos, mesmo quando o retorno prático não aparece. O dinheiro corre rápido para o papel, para as planilhas e para os contratos.
Do outro lado, o povo paga a conta. O programa Pão na Mesa ficou 12 meses sem pagamento, empurrando famílias à fome. Bolsas universitárias e técnicas sofreram atrasos graves, colocando estudantes à beira da evasão. O auxílio-defeso, vital para pescadores em período de proibição, também foi alvo de calotes. E, no ápice do absurdo, os salários dos servidores municipais passaram a atrasar mês após mês, atingindo efetivos, comissionados e REDA.
A situação chegou a um ponto tão extremo que a Justiça precisou intervir. Em decisão recente, foi determinado que a Prefeitura quite integralmente os salários atrasados em até 48 horas, sob pena de multa diária e responsabilização do prefeito. É o retrato de um colapso: quando o Judiciário precisa garantir o pagamento do salário, algo básico e constitucional, é porque a gestão perdeu qualquer noção de prioridade pública.
O contraste é escancarado. Como pode haver recursos para obras milionárias e faltar dinheiro para comida, estudo e salário? Como explicar que contratos avancem sem interrupção enquanto servidores passam necessidade e estudantes acumulam dívidas? Enquanto isso, direitos sociais viram favor, salário vira barganha e programas essenciais são tratados como despesas descartáveis. O resultado é uma cidade rica nos números e pobre na vida real. E esse abismo entre orçamento e dignidade é, hoje, a maior marca do governo.
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