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Homenagem Nacional

Santo Amaro: Beija-Flor é vice-campeã com enredo celebrando o Candomblé do Bembé

Desfile foi estruturado em seis setores dedicados ao maior candomblé de rua no Recôncavo Baiano

18/02/2026 17h21
Por: Redação

Em apuração realizada hoje, a Beija-Flor de Nilópolis conquistou o vice-campeonato do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo histórico e profundamente cultural que celebrou a ancestralidade afro-brasileira através do Bembé do Mercado, a maior manifestação de candomblé de rua do mundo, realizada anualmente em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. A Grande Campeã foi a Viradouro que homenageou o mestre Ciça. (Veja aqui).

A escola que foi campeã em 2025, emocionou jurados e público ao transformar a Passarela do Samba numa grande homenagem às tradições do Recôncavo Baiano, exaltando fé, resistência e cultura, levando a história do Candomblé que acontece no dia 13 de maio às arquibancadas e palcos do samba-enredo. Perdeu o titulo por um décimo na questão alegoria.

O enredo “Bembé”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, trouxe para a Sapucaí não só sons e cores, mas um recorte histórico que remete ao início da celebração em 1889, um ano após a Abolição da Escravidão no Brasil, quando moradores, pescadores e devotos ocuparam as ruas de Santo Amaro para festejar nas ruas e nos terreiros.

Comissão de frente e alegorias representam espiritualidade

Logo na comissão de frente, a escola encenou uma procissão de pescadores conduzindo um barco, elemento simbólico de travessia e oferenda. Em um dos momentos centrais, a embarcação foi erguida e revelou a figura da Mãe d’Água, recurso cênico que marcou a apresentação.Oxum e Iemanjá foram representadas ao longo do desfile em alegorias com tons de azul e dourado. O abre-alas trouxe referências a rituais de purificação, com aves brancas, beija-flores e máscaras ancestrais. A apresentação foi dividida em seis setores, cada um simbolizando um dia da celebração do Bembé.

Lideranças religiosas e continuidade histórica

A história do Bembé atravessa gerações. A tradição teve início com o babalorixá João de Obá, passou por Pai Tidu e Mãe Lídia e atualmente é conduzida por Pai Pote, presidente da associação que reúne 65 terreiros de candomblé e cerca de 100 participantes externos.“Eu, que estou presidente este ano da homenagem, estou muito feliz, porque [a Beija-Flor] é uma comunidade idêntica à nossa, que luta pelos objetivos da população negra, pela cultura, pela preservação da nossa essência cultural e contra a intolerância religiosa”, declarou Pai Pote.

Ele também afirmou que o desfile representa os terreiros de forma ampla. “Fala do candomblé da Bahia, do Brasil e do mundo, porque a homenagem não é só ao Bembé, é ao povo negro, aos terreiros, aos macumbeiros. Esse termo não é pejorativo, é importante ser macumbeiro, sim”.

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