O caso ferro velho volta ao centro das atenções nesta segunda-feira (13), quando o empresário Marcelo Batista da Silva participa de mais uma audiência de instrução na Vara Criminal de Sussuarana, em Salvador.
Marcelo Batista é investigado pelas mortes de Paulo Daniel Pereira Gentil do Nascimento e Matusalém Silva Muniz. Apesar disso, a prisão preventiva decretada anteriormente teve como base a acusação de tentativa de homicídio contra outras três pessoas, duas delas ex-funcionárias de sua empresa, que sobreviveram após serem atingidas por disparos de arma de fogo.
O empresário chegou a ser preso em agosto, após ser localizado em um ferro-velho no bairro de Pirajá, durante uma ação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a polícia, ele teria tentado se esconder no local no momento da abordagem.
Meses antes, em 9 de junho, Marcelo havia se apresentado voluntariamente à Justiça após período em que esteve foragido. Na ocasião, obteve liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, restrição de circulação e proibição de deixar a cidade.
Foto: Redes sociais
O caso ferro-velho de Pirajá completou um ano em novembro de 2025. O desaparecimento de Paulo Daniel, de 23 anos, e Matusalém Silva Muniz, de 25, foi registrado em 4 de novembro de 2024, após familiares denunciarem o sumiço dos dois jovens.
De acordo com a mãe de Paulo, Mari Pereira, o proprietário do ferro-velho, Marcelo Batista, confirmou que o rapaz chegou para trabalhar normalmente, mas desapareceu logo em seguida. Antes do ocorrido, o empresário havia acusado Paulo de roubo, mas não chegou a registrar queixa contra ele.
Já Matusalém Silva Muniz teria desaparecido após sair do trabalho para almoçar na região. Fontes que preferiram não se identificar informaram às famílias das vítimas que os dois jovens teriam sido executados pelo dono do estabelecimento. Eles teriam sido amarrados e torturados com pauladas antes de serem mortos.
No dia seguinte ao desaparecimento (5 de novembro), o Corpo de Bombeiros iniciou as buscas pelos rapazes. Cães farejadores foram utilizados no terreno do ferro-velho e confirmaram que Paulo e Matusalém estiveram no local. Uma meia e um tênis de Paulo também foram encontrados.
A Polícia Civil identificou vestígios de sangue em um recipiente de lixo. Além disso, o sistema de câmeras de segurança — composto por mais de 50 equipamentos — foi encontrado destruído. “Cabe destacar que praticamente todo o monitoramento foi inutilizado e possivelmente continha imagens da tortura e execução das vítimas”, apontaram os investigadores em relatório.
Os corpos dos jovens continuam desaparecidos. Em março, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) revogou um mandado de prisão contra Marcelo Batista.
Na mesma decisão, outros dois homens investigados por participação no crime — Marcelo Durão Costa e Clóvis Antônio Santana Durão Júnior — tiveram liberdade provisória concedida. A decisão, proferida em 25 de fevereiro pelo juiz Vilebaldo José de Freitas Pereira, beneficiou a dupla.
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