O governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) evitou assumir o compromisso de zerar a fila da regulação, como fez quatro anos atrás na campanha de 2022. Questionado sobre o tema nesta segunda-feira (14) durante entrevista à TV Bahia, o governador foi evasivo e se resumiu a dizer “Vou trabalhar para isso”.
O questionamento ocorreu diante da apresentação de dados do próprio governo que tratam sobre o tempo de atendimento, segundo os quais 14% dos pacientes permanecem mais de três dias aguardando assistência. Apesar da estimativa, é comum ver casos de pessoas que demoram mais do que esse período para receber atendimento.
Para se defender da cobrança, Jerônimo voltou a falar sobre a participação das prefeituras e citou a atuação integrada entre os diferentes níveis da rede pública de saúde. “O SUS é o Sistema Único de Saúde. Se os municípios não cumprirem suas responsabilidades de atenção básica, isso recai sobre o Estado”, alegou.
Um dos entrevistadores questionou, então, se Jerônimo, ao fazer aquela promessa, não conhecia a complexidade do sistema de saúde e a necessidade de fortalecimento da atuação dos municípios. Quatro anos depois, a promessa de zerar a fila da regulação não foi cumprida pela gestão petista.
*Sem compromissos com a segurança pública*
Também durante a entrevista Jerônimo também evitou firmar um compromisso objetivo para retirar as cidades baianas do ranking das dez mais violentas do Brasil, em caso de eventual segundo mandato. Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro integram a lista de municípios com mais mortes violenta são país em 2025, de acordo Anuário de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Um dos entrevistadores lembrou ainda que, em 2024, durante a gestão de Jerônimo, o estado também já ocupava cinco posições no ranking e ressaltou que o grupo político do governador comanda a Bahia há 20 anos.
Perguntado sobre como explicar a situação à população, Jerônimo voltou a falar em fortalecer a atuação conjunta das forças estaduais de segurança com os municípios e defendeu maior participação das prefeituras.
“Eu vou fazer um fortalecimento da articulação entre as forças de Segurança do Estado com a rede municipal. É importante que os municípios participem desse sistema. É importante que as prefeituras que tem a Guarda Municipal fazer isso”, disse.
Na sequência, o petista citou uma parceria com o governo federal como parte das ações voltadas à segurança pública. A resposta também foi confrontada com declarações apresentadas pelo próprio Jerônimo quatro anos atrás, quando ele já mencionava a participação dos municípios e a parceria com o presidente da República ao tratar do enfrentamento à violência.
O governador foi, então, perguntado diretamente se assumiria o compromisso de, caso seja reeleito, terminar um eventual segundo mandato sem que a Bahia continuasse com cinco cidades nesse ranking. Jerônimo, no entanto, não estabeleceu uma meta objetiva.
“Vou trabalhar para isso. Vou me dedicar para isso”, afirmou.
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