Dois dos 15 presos pela Polícia Federal na Operação Overclean, realizada nesta terça-feira (10), são o ex-coordenador Departamento Nacional de Obras Contra as Secas na Bahia (Dnocs-BA) durante a gestão do ex-presidente, Lucas Lobão, e o empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, conforme apuração do Aratu On. Os outros 13 detidos ainda não tiveram os nomes divulgados.
Além de Lobão e Moura, teria sido preso Flávio Henrique de Lacerda Pimenta, servidor da Secretaria Municipal de Educação de Salvador.
Segundo a Receita Federal, no período investigado, a organização movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão, tendo celebrado R$ 825 milhões em contratos somente em 2024 com diversos órgãos públicos.
A organização criminosa investigada pela força-tarefa utilizava um esquema estruturado para direcionar recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios para empresas e indivíduos ligados a administrações municipais.
As investigações constataram a prática de superfaturamento em obras e desvios de recursos com o apoio de interlocutores que facilitavam a liberação de verbas destinadas a projetos previamente selecionados pelo grupo.
A operação foi realizada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal do Brasil e a Controladoria-Geral da União (CGU). Houve, ainda, cooperação policial internacional por intermédio da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations – HSI).
Foram cumpridos 17 mandados de prisão preventiva, 43 mandados de busca e apreensão, além de ordens de sequestro de bens, nos estados da Bahia, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Na Bahia, os mandados foram executados em Salvador, Lauro de Freitas, Jequie, Itapetinga, Campo Formoso, Mata de São João e Wagner.

Lobão foi assessor técnico do vereador Alexandre Aleluia (PL), de Salvador. Ele também foi assessor técnico da secretaria da Administração de Salvador, em 2008, coordenador da Central de Serviços e Contratos da secretaria de Gestão da prefeitura, em 2009, e subcoordenador da secretaria de Trabalho, Assistência Social e Direito do Cidadão, no mesmo ano.
Ele comandou a Coordenadoria Estadual da Bahia do Dnocs, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Por ter sido assessor de Alexandre Aleluia, também procuramos o vereador, mas, até a publicação desta reportagem, não obtivemos retorno.
José Marcos de Moura é proprietário da empresa da MM Consultoria Construções e Serviços, empresa especializada em serviços de limpeza urbana.
O Aratu On não conseguiu localizar os advogados de Lobão e Moura para repercutir sobre o caso. O espaço segue aberto. Também não conseguimos contato com o vereador A
O grupo atuava por meio de operadores centrais e regionais, que cooptavam servidores públicos para obter vantagens indevidas, tanto no direcionamento quanto na execução de contratos. Após garantir a celebração dos contratos fraudulentos, as empresas envolvidas superfaturavam valores e aplicavam sobrepreços.
Os pagamentos de propinas eram realizados por meio de empresas de fachada ou métodos que dificultavam a identificação da origem dos valores.
A lavagem de dinheiro era realizada de forma altamente sofisticada, incluindo o uso de: empresas de fachada controladas por “laranjas”, que movimentavam os recursos ilícitos; empresas com grande fluxo financeiro em espécie, utilizadas para dissimular a origem dos valores desviados.
Relatórios elaborados pela Receita Federal, em cumprimento à ordem judicial, apontaram inconsistências fiscais, movimentações financeiras incompatíveis, omissão de receitas, utilização de interpostas pessoas e indícios de variação patrimonial a descoberto.
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