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SFC: Pressão popular faz Câmara recuar e não votar redução do “Pão na Mesa”; Calmon sofre derrota e Greice tem dia de fúria

SFC: Pressão popular faz Câmara recuar e não votar redução do “Pão na Mesa”; Calmon sofre derrota e Greice tem dia de fúria

21/10/2025 16h21Atualizado há 10 meses
Por: Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O plano do prefeito Antônio Calmon de reduzir o valor e o número de beneficiários do programa “Pão na Mesa” foi enterrado  ao menos momentaneamente pela pressão popular sobre os vereadores.

Após uma sequência de manobras, promessas e tentativas de controle político, a Câmara de Vereadores de São Francisco do Conde recuou e não colocou o projeto em votação na sessão desta terça-feira (21).

O resultado representa uma derrota direta para Calmon e um abalo inédito na relação do prefeito com sua base aliada.

Jornal Candeias já havia mostrado, pela manhã, que a votação do projeto poderia ser considerada obstrução de justiça (Veja aqui) 

Derrota e isolamento político

Calmon acreditava que sua antiga influência política ainda seria suficiente para dobrar os vereadores.

Depois de passar o fim de semana batendo de porta em porta, tentando convencer individualmente cada parlamentar, o prefeito chegou a garantir ao presidente da Câmara, Nem do Caípe, que já tinha os votos necessários para aprovar o projeto que reduzia o valor do benefício para R$ 150 e cortava mais de 90% das famílias atendidas.

Mas o tiro saiu pela culatra.

Calmon viu os vereadores recuarem ao vivo, durante a transmissão pelo YouTube, e se deu conta do próprio isolamento político.

Nem as promessas de 20 novos cargos comissionados e nomeações imediatas foram suficientes para garantir apoio.

Na prática, ninguém quis assumir o desgaste de votar contra um programa social que beneficia milhares de famílias carentes  e muitos já duvidavam que as promessas de cargos seriam cumpridas.

Como o Jornal Candeias havia antecipado, a estratégia foi montada com orientação da secretária de Saúde e vereadora licenciada Greice Tanferi, que mandou o prefeito negociar individualmente com os vereadores após o vazamento da primeira reunião coletiva (Veja aqui )

A tática, porém, saiu pela culatra, pois deixou claro aos vereadores que o prefeito não confia mais em sua base.

Bastidores: “Dia de fúria” e cobranças

Com a repercussão das denúncias nas redes sociais e a pressão da opinião pública, os vereadores decidiram não votar o projeto e afirmaram que só o farão após uma audiência pública.

Segundo fontes da própria gestão, Greice Tanferi teve um “dia de fúria” nos bastidores, reclamando do recuo da base e acusando aliados de “falta de lealdade”.

Ela teria dito que “isso não aconteceria se ainda estivesse no mandato”, conforme relato de um vereador da base sob reserva:

“Ela achou que ainda controlava o tabuleiro, mas o jogo virou”, afirmou.

Ainda segundo informações de bastidores, Greice teria pressionado Calmon a exigir de Nem do Caípe a convocação de sessões extraordinárias para tentar retomar a votação.

A mentira orçamentária desmascarada

Durante a sessão, o principal argumento do governo  de que a redução do benefício permitiria ampliar o número de famílias atendidas  caiu por terra.

A própria Lei Orçamentária Anual (LOAS), enviada junto ao projeto, prevê apenas R$ 4 milhões para todo o ano de 2026.

Na prática, isso representa menos de R$ 400 mil por mês para custear um programa que atualmente movimenta cerca de R$ 3 milhões mensais.

A LOAS define quanto a Prefeitura vai gastar em cada programa no ano seguinte e, nesse caso, a previsão confirma o corte, não a ampliação.

O discurso do secretário de Administração, Aloísio de Oliveira, de que o novo modelo atenderia “6.450 famílias”, foi desmentido durante a própria sessão, marcando o fim da credibilidade do governo dentro do plenário.

Pressão popular foi decisiva

O recuo dos vereadores foi resultado direto da mobilização popular e da pressão nas redes sociais, que se intensificou após o Jornal Candeias revelar que votar o projeto poderia configurar burla à decisão judicial que obriga o pagamento integral do programa “Pão na Mesa”.

Famílias beneficiárias, líderes comunitários e movimentos sociais lotaram as redes cobrando dos vereadores uma posição firme contra a redução do benefício.

Diante da repercussão, Nem do Caípe encerrou a sessão sem votação, para evitar um confronto maior e o desgaste definitivo da Câmara.

A próxima sessão ordinária foi marcada para 4 de outubro, já que a próxima semana será feriado do servidor público.

Nos bastidores, há informações de que Calmon já teria ligado ao presidente para tentar convocar duas sessões extraordinárias e retomar a discussão.

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