A requalificação da Praça da Independência, localizada na sede de São Francisco do Conde, tornou-se mais um símbolo do colapso administrativo e da desordem na aplicação dos recursos públicos durante a gestão de Antônio Calmon. Mesmo após o pagamento de R$ 14.286.111,02, conforme dados oficiais do Portal da Transparência, a obra permanece inacabada, cercada por tapumes, sem entrega à população e sem qualquer explicação plausível por parte do Executivo municipal.
O contrato nº 244/2023, firmado com a empresa EBISA Engenharia Brasileira Indústria e Saneamento Ltda, previa a execução completa da requalificação da praça no prazo entre 27 de novembro de 2023 e 19 de outubro de 2024, com recursos próprios do município. O valor, no entanto, chama atenção por si só: quase R$ 15 milhões para uma praça de pequeno porte, em uma cidade onde escolas estão sucateadas, o transporte universitário foi suspenso e programas sociais foram desmontados.

Não é preciso ser engenheiro para perceber o descompasso entre o valor pago e o que foi efetivamente executado. Técnicos da área ouvidos pelo Jornal Candeias, sob condição de anonimato por medo de retaliações, afirmam que as medições apresentadas e pagas não correspondem à realidade da obra. Um engenheiro lotado na própria Secretaria de Infraestrutura relatou que, com os valores já desembolsados, seria possível construir uma praça de múltiplos pavimentos, o que evidencia um possível descontrole no acompanhamento do contrato. Segundo ele, fiscais teriam sido obrigados a atestar notas mesmo sem o serviço.

Planilhas de medições às quais o Jornal Candeias teve acesso indicam, por exemplo, a utilização de cerca de 1.500 caçambas de areia na obra. A quantidade, segundo especialistas, seria suficiente para formar uma praia artificial, destoando completamente da dimensão física da praça. Esse tipo de dado reforça as suspeitas de inchaço artificial de medições e possível pagamento por serviços não executados.
A EBISA, por sua vez, aparece como responsável por diversas obras no município, muitas delas também marcadas por atrasos, aditivos e questionamentos públicos. A repetição do padrão acende um alerta sobre a atuação dos fiscais de contrato, da Secretaria de Infraestrutura e da cadeia de comando que autoriza medições, libera pagamentos e atesta execuções.
Enquanto isso, o povo de São Francisco do Conde segue impedido de utilizar um espaço público central, em uma cidade que viveu em 2025 o pior ano social de sua história, com fome, desemprego, colapso de serviços e humilhação institucional. O JC pediu informações ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) sobre a denúncias. Diante dos valores pagos e do estágio atual da obra, há risco real de responsabilização futura de gestores, fiscais e ordenadores de despesa, caso os órgãos de controle avancem sobre o caso.
A Praça da Independência, que deveria simbolizar convivência, cidadania e espaço público, hoje simboliza abandono, descontrole e suspeita. E a pergunta que ecoa nas ruas é a mesma que se repete em outras obras do município: onde foi parar o dinheiro? O Jornal Candeias seguirá acompanhando o caso e publicará novos documentos, medições e informações técnicas nos próximos dias.







São Francisco do Conde - BA São Francisco do Conde é uma cidade de forte herança histórica e cultural, marcada pela fé, pela tradição e pela resistência do seu povo. Rica em história e estratégica na Região Metropolitana de Salvador, carrega contrastes profundos entre potencial econômico e realidade social. São Francisco do Conde segue como um território de memória, luta e esperança por dias mais justos e prósperos para sua população. Sensação
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