O cancelamento do Madre Verão continua repercutindo fortemente em Madre de Deus. Dias após o anúncio oficial da Prefeitura, a cidade ainda vive um clima de frustração, indignação e sentimento de perda. Comentários de moradores, trabalhadores e turistas se multiplicam nas redes sociais e revelam um consenso: o município perdeu muito mais do que uma festa, perdeu uma referência que ultrapassou todas as gestões.

O Cenário ainda é pior porque a administração escondeu da população o fim da festa até a postagem de matéria pelo Jornal Candeias (veja aqui) questionando a falta de anúncio da festa. Horas depois, pressionado pela população no JC, o prefeito Dailton Filho enfim anunciou o resultado de sua falta de gestão: acabou o Madre Verão. A indignação cresce ainda mais quando a justificativa oficial é confrontada com a realidade financeira do município.

Dados do Portal da Transparência mostram que Madre de Deus arrecadou R$ 300 milhões em 2025, o maior dos últimos anos, mesmo sendo uma das menores cidades da Bahia em extensão territorial e população. Em números absolutos, trata-se de uma arrecadação considerada altíssima para o porte do município, o que torna ainda mais difícil aceitar o discurso de inviabilidade financeira.

O argumento de “responsabilidade fiscal” soa como “deboche” diante de uma arrecadação milionária e do escândalo envolvendo empresas de eventos, investigado pelo Ministério Público da Bahia, que no mês passado deflagrou a ‘Operação Xeque-Mater’, que investiga uma suposta organização criminosa envolvendo agentes políticos, responsável por fraudes em procedimentos licitatórios, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e corrupção exatamente na área da cultura, que levou a exoneração de Sandro Matos, então secretário de Mobilidade e Segurança Cidadã, e de Victor Lino, secretário de Cultura e Turismo. Ambos, homens de confiança de Dailton Filho e responsáveis diretamente pela realização da festa.
O problema não é da cidade, é da gestão. Madre de Deus não deveria pagar o preço por erros administrativos. Nas redes, a ironia tomou conta. “Depois de colocarem milhões no bolso, agora estão preocupados com responsabilidade fiscal”, escreveu outra moradora. Um dos comentários mais compartilhados foi direto ao ponto: o Madre Verão não era apenas entretenimento, mas parte da memória coletiva, da identidade cultural e da economia local. “Preservar o Madre Verão é entender que cultura é investimento, não gasto”, escreveu um cidadão.
Em publicações leitores resumiram o impacto do cancelamento como o encerramento de uma tradição que movimentava milhares de pessoas, gerava renda e colocava Madre de Deus no mapa do turismo baiano durante o verão. “Encerrando a tradição onde todas as famílias alugam milhares de casas nessa época”, escreveu um internauta, lembrando que, historicamente, era quase impossível encontrar imóveis disponíveis durante o período do evento. Vendedores ambulantes, barraqueiros, músicos, técnicos, donos de pousadas, hotéis e casas de aluguel por temporada foram citados como os maiores prejudicados pela decisão tardia da gestão municipal.
Madre de Deus - BA Madre de Deus é uma cidade-ilha marcada pela beleza natural, pela força do seu povo e por uma história ligada ao mar e à indústria do petróleo. Com paisagens únicas, cultura viva e identidade forte, Madre de Deus segue como símbolo de resistência, pertencimento e amor à terra, onde cada canto carrega memória, luta e esperança de dias melhores. Sensação
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