Pais e mães de família estão recorrendo ao que há de mais humilhante para sobreviver em São Francisco do Conde: pedir ossos em açougues para alimentar os próprios filhos. O relato brutal foi feito por um açougueiro conhecido como Rabicó, que gravou um vídeo desabafando sobre a fome que avança no município e exibindo seu estabelecimento completamente vazio, um retrato do colapso social instalado na cidade.
No vídeo, Rabicó descreve uma realidade chocante: comércio paralisado até mesmo em pleno sábado, dia tradicionalmente de maior movimento, ausência total de consumo e famílias sem qualquer renda. Segundo ele, a crise deixou de ser econômica e passou a ser humanitária, enquanto o poder público segue inerte, distante da dor de quem não tem o que comer.
A situação é ainda mais revoltante por acontecer em São Francisco do Conde, município que ostenta um dos maiores PIBs do Brasil. A contradição entre a arrecadação bilionária e a miséria vivida pela população escancara um modelo de gestão que concentra riqueza e impõe fome. A cidade rica se tornou um território de abandono, onde a prosperidade não chega às mesas das famílias.
O cenário de desassistência é amplo. Servidores públicos seguem com salários atrasados; cerca de três mil beneficiários foram excluídos de programas sociais e os que restaram enfrentam constantes atrasos nos pagamentos. Estudantes universitários estão sem bolsas, o transporte público simplesmente desapareceu e o isolamento social se aprofunda a cada dia.
A fome, segundo o próprio relato do açougueiro, não é fruto do acaso, mas consequência direta da condução da gestão municipal. Para muitos moradores, Antônio Calmon impõe a fome de forma desumana e cruel ao deixar pais e mães sem salário, sem assistência e sem qualquer perspectiva de dignidade.
O abandono institucional também se reflete no descumprimento de decisões judiciais. Mesmo após determinação da Justiça para que o prefeito efetuasse o pagamento do salário do servidor conhecido como Zezé Véio, reconhecendo o sábado como dia útil, o valor segue em aberto até hoje, reforçando a sensação de desprezo com trabalhadores e com o próprio Judiciário.
Diante desse quadro de miséria em uma cidade rica, Rabicó convocou a população, comerciantes e todas as categorias profissionais para reagirem. Ele também chamou um protesto público, cobrando uma atuação efetiva da Câmara de Vereadores e medidas urgentes para conter a crise. Em São Francisco do Conde, o dinheiro existe, o que falta é gestão, responsabilidade e respeito com quem passa fome.
São Francisco do Conde - BA São Francisco do Conde é uma cidade de forte herança histórica e cultural, marcada pela fé, pela tradição e pela resistência do seu povo. Rica em história e estratégica na Região Metropolitana de Salvador, carrega contrastes profundos entre potencial econômico e realidade social. São Francisco do Conde segue como um território de memória, luta e esperança por dias mais justos e prósperos para sua população. Sensação
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