A cidade de São Francisco do Conde continua enfrentando a maior sangria de recursos e
novas denúncias atravessam diferentes gestões e contratos públicos. Um caso antigo, revelado pelo portal Informe Baiano, ganha novos contornos à luz de apurações recentes do Jornal Candeias, apontando para a permanência de um mesmo núcleo de influência em licitações milionárias, uso de bens privados por agentes públicos e suposto favorecimento empresarial.
À época, quando Greice Tanferi ocupava o cargo de chefe de gabinete, reportagem do Informe Baiano relatou que ela circulava em um veículo blindado pertencente a uma empresa que havia vencido licitação de aproximadamente R$ 4 milhões no município. O automóvel um Jeep Compass Longitude Diesel, ano 2020/2021, placa RCX8A80 está registrado em nome da A E N Transportes Ltda, empresa associada a Camamu, empresário citado em diversas denúncias como operador financeiro ligado à gestão. A utilização do carro, segundo as reportagens da época, levantou suspeitas de vantagem indevida e conflito de interesses, já que a empresa beneficiada por contratos públicos forneceria um bem de alto valor a uma autoridade municipal.
Os dados atuais do veículo reforçam o vínculo empresarial: o carro permanece registrado em nome da A E N Transportes Ltda, com débitos de IPVA e licenciamento em aberto, conforme consulta realizada em 20/01/2026. Embora o uso do veículo tenha sido negado formalmente à época, as imagens e relatos publicados reacenderam o debate sobre a promiscuidade entre o público e o privado na administração local.
As suspeitas voltaram a ganhar força com a nova reportagem do Jornal Candeias, que revelou indícios de fraude, burla e direcionamento em uma licitação de vans, supostamente estruturada para entregar o contrato à empresa da esposa de Camamu, o mesmo empresário apontado como operador financeiro ligado a Greice. Segundo a matéria, o processo licitatório teria sido moldado para favorecer a vencedora, aprofundando as dúvidas sobre a lisura dos certames e o alcance da influência política do grupo.
Nos bastidores do poder, fontes relatam que Greice ampliou sua força política e continuaria exercendo influência decisiva na Prefeitura, mesmo após deixar cargos formais. O grau dessa proteção teria ficado evidente quando a primeira-dama, Dona Nide, passou a pedir publicamente que as críticas contra Greice cessassem. Em declarações atribuídas ao prefeito Antônio Calmon, ele teria afirmado que “se tivesse mais duas Greice” em sua vida, não estaria enfrentando as dificuldades atuais, frase interpretada por interlocutores como sinal de confiança e dependência política.
As tensões internas, contudo, não seriam poucas. Há relatos de desavenças pessoais envolvendo membros da família do prefeito, em especial Poliana Calmon. Em reuniões internas, Greice teria atribuído a Poliana a responsabilidade por problemas em uma sociedade empresarial criada com outro operador, conhecido como Papito, o que expõe fissuras familiares misturadas à gestão pública.
Importante destacar que todas as informações acima são denúncias em apuração, baseadas em reportagens, documentos públicos, consultas de registros e relatos de fontes. Os citados têm direito ao contraditório e à ampla defesa. O que se observa, porém, é a reincidência de personagens e empresas em contratos vultosos, o uso de bens privados por agentes públicos e a concentração de poder informal, elementos que, somados, exigem investigação rigorosa dos órgãos de controle.
O Jornal Candeias afirma que continuará cruzando dados e acompanhando os desdobramentos. Em São Francisco do Conde, o passado insiste em bater à porta do presente, e a sociedade cobra respostas claras, transparência e responsabilização.
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