A sessão da Câmara Municipal de São Francisco do Conde ganhou novos contornos políticos nesta terça-feira. Após o Jornal Candeias revelar que o presidente da Casa, Nem do Caípe, estava de férias em Gramado (RS) às vésperas da votação mais sensível do ano, o parlamentar não retornou para presidir os trabalhos sabiamente para evitar ainda mais desgaste. Quem assumiu a condução da sessão foi o vice-presidente Joinha, em meio a um clima de forte pressão popular e intensa articulação de bastidores.

Além da ausência de Nem do Caípe na presidência, a sessão registrou as faltas dos vereadores Muriel e Lígia Santa Rosa, o que elevou ainda mais a tensão política. Com isso, cada voto passou a ter peso decisivo no desfecho dos vetos do prefeito Antônio Calmon à LOA. Nos bastidores, cresce a expectativa, e a indignação, em torno do posicionamento das vereadoras Lorena de Reizinho e Daoana Sales. Ambas deverão votar a favor das emendas, após uma reunião que o prefeito Calmon realizou por ligação em viva voz na sala vip com exceção do vereador Rafael Nogueira.
As emendas que deveriam trazer recursos ao povo, mas, segundo informações apuradas, Lorena e Daoana devem recuar e votar a favor dos vetos de Calmon, contrariando a posição anterior e o clamor popular. “Quero lembrar a todos vereadores que essas emendas foram aprovadas por nós mesmos a unanimidade” disse o vereador Rafael Nogueira.

A possível mudança de votos é atribuída a promessas de cargos e espaços na administração, numa articulação direta do Executivo para manter os vetos e transferir o desgaste político ao Legislativo. A leitura entre parlamentares e lideranças sociais é clara: a tentativa é salvar o governo no curto prazo, mesmo ao custo da humilhação pública da Câmara e do rompimento com compromissos assumidos com a população.
Segundo interlocutores, Calmon teria prometido cerca de 30 cargos aos vereadores que aprovarem o veto. A iminente virada de votos compõem um cenário de desconforto institucional. Para muitos, a sessão deixou de ser apenas uma deliberação orçamentária e passou a ser um marco político, um divisor entre quem sustenta os vetos e quem sustenta o povo.
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