A Câmara Municipal de São Francisco do Conde viveu, nesta sessão extraordinária (27), um dos episódios mais constrangedores e simbólicos de sua história recente. Em votação secreta, os vereadores optaram por manter os vetos do prefeito Antônio Calmon às emendas que devolviam recursos ao povo, num movimento que escancarou a submissão do Legislativo à máquina do Executivo e que, inevitavelmente, será cobrado pela história.
O resultado foi devastador para a credibilidade da Casa: apenas um voto contrário aos vetos foi registrado na urna. Por se tratar de votação secreta, não há identificação formal dos votantes. Contudo, somente o vereador Rafael Nogueira teve a coragem política de assumir publicamenteseu voto contra os vetos de Calmon, ficando isolado como a única voz de resistência em plenário.
Todos os demais vereadores presentes se renderam ao poder, às pressões e às promessas. Segundo informações de bastidores, o preço da rendição teria sido a promessa de cerca de 30 cargos políticos, com nomeações previstas ainda para este mês, um loteamento explícito da administração em troca de silêncio, submissão e votos.
Três ausências também marcaram a sessão: Nem do Caípe, presidente da Casa, que fugiu da sessão; Lígia Santa Rosa, que não compareceu; e Muriel, igualmente ausente. As cadeiras vazias falaram alto num momento decisivo para o futuro político da cidade.
O episódio mais emblemático, porém, envolve as vereadoras Lorena e Dauana. Ambas haviam sido combativas, firmes e incisivas na defesa das emendas que devolviam recursos para alimentação, educação, transporte e programas sociais. Nesta votação, entretanto, recuaram e votaram a favor dos vetos do prefeito, contrariando seus discursos anteriores e a expectativa de seus eleitores. Agora, terão de explicar à população o que mudou, quem as convenceu e a que custo votaram contra a própria consciência política.
Com a manutenção dos vetos, Calmon saiu vencedor, não apenas politicamente, mas simbolicamente. Conseguiu humilhar a Câmara, reduzir o Legislativo a um papel decorativo, empurrar vereadores para a lata de lixo da história e reconcentrar recursos que, segundo a leitura política dominante, servirão para contratos, operações e publicidade, pavimentando o caminho da candidatura de sua secretária de Saúde, Greice Tanferi, à Prefeitura em 2028.
Nos bastidores, há relatos de que o prefeito comemorou o resultado como uma vitória estratégica, afirmando que havia conseguido destruir a carreira política dos vereadores que sustentaram seus vetos e que agora iria “oxigenar” novas lideranças para defender a eleição de Greice. Ainda segundo essas informações, Calmon teria se referido aos atuais vereadores como “árbitros” e “aves de mau agouro”, que mudam de lado com mais facilidade do que mudam de roupa.
A votação secreta nem blindou os nomes dos que votaram contra São Francisco, por enquanto. Mas não blindará as consequências. O que ocorreu nesta sessão não foi apenas uma decisão orçamentária: foi um marco de submissão, um ato de renúncia política e um registro histórico que a cidade não esquecerá. O povo perdeu na urna secreta. Mas a história, cedo ou tarde, cobra cada voto.
São Francisco do Conde - BA São Francisco do Conde é uma cidade de forte herança histórica e cultural, marcada pela fé, pela tradição e pela resistência do seu povo. Rica em história e estratégica na Região Metropolitana de Salvador, carrega contrastes profundos entre potencial econômico e realidade social. São Francisco do Conde segue como um território de memória, luta e esperança por dias mais justos e prósperos para sua população. Sensação
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