Após indiciar o empresário José Marcos de Moura, o Rei do Lixo, e outras 24 pessoas suspeitas de liderar um esquema de desvio de emendas parlamentares e fraudes em licitações em prefeituras, a Polícia Federal (PF) trabalha para concluir relatórios segmentados sobre a atuação de deputados na estrutura da organização criminosa já investigados na Operação Overclean.
Estes documentos pretendem esmiuçar o papel e a conduta de cada parlamentar no desvio de emendas direcionadas pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) a prefeituras que faziam licitações e contratos fraudulentos através de servidores corrompidos em conluio com a quadrilha liderada pelo Rei do Lixo.
As investigações sobre eles ainda estão em curso. Entre os parlamentares na mira da Overclean estão os deputados federais Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), Dal Barreto (União Brasil-BA) e Vicentinho Júnior (PSDB-TO), como publicou O GLOBO.
Por um lado, os planos da PF criam uma sombra sobre o Congresso às vésperas do período eleitoral, já que falta pouco mais de um mês para o primeiro turno, quando serão eleitos deputados e senadores para a próxima legislatura. Por outro, os esforços para ampliar as informações colhidas pelos investigadores contrastam com a morosidade da Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) ainda não apresentou parecer sobre o indiciamento e nem apresentou denúncia contra os investigados.
Entre os crimes imputados pela PF ao Rei do Lixo e aos outros indiciados estão organização criminosa, fraude em licitação, peculato, obstrução de Justiça e corrupção ativa e passiva. Questionada pela equipe do blog na ocasião, a PGR confirmou que não há ainda parecer sobre o indiciamento, mas não esclareceu a razão da demora.
De acordo com os investigadores, o Rei do Lixo, que é do União Brasil e integrou a cúpula da legenda, lidera uma organização criminosa ao lado de Alex Rezende Parente, flagrado em uma ação controlada da PF com R$ 1,5 milhão em espécie guardados em uma mala de mão a bordo de um jatinho fretado pelo empresário no trajeto entre Salvador e Brasília.
Os dois chegaram a ser presos na primeira fase da Overclean junto de outras 15 pessoas, mas todos acabaram soltos por ordem da desembargadora Daniele Maranhão, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), na semana seguinte.
Nunes Marques tem se alinhado às posições de Gonet, que no ano passado se manifestou contra uma nova prisão do Rei do Lixo por obstrução de Justiça. Na ocasião, a PF descobriu que o empresário e outros comparsas estavam destruindo provas e criando novas empresas para manter em funcionamento o esquema fraudulento. O ministro então indeferiu o pedido dos investigadores.
Além do Rei do Lixo, estão entre os indiciados Lucas Maciel Lobão e Rafael Guimarães de Carvalho, que exerceram a função de coordenador estadual do DNOCS na Bahia, estado de Moura e de três dos deputados investigados.
Moura também é próximo do presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, que tenta uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio na sua primeira disputa eleitoral. Dada a influência do empresário, não é surpresa que a Overclean ainda paire como um fantasma sobre Brasília com outras investigações à espreita, como as fraudes do Banco Master e dos descontos ilegais em aposentadorias do INSS. Mas o ritmo da PGR parece indicar que os relatórios parciais sobre os deputados investigados dificilmente resultarão em efeitos concretos a tempo do escrutínio popular nas urnas de outubro.
Sensação
Vento
Umidade
