A proposta de conceder a Comenda Dois de Julho, honraria máxima da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), ao ministro Alexandre de Moraes ganhou forte repercussão devido a investigações recentes que o colocam sob os refletores da Polícia Federal. O projeto, protocolado pelo deputado Rosemberg Lula Pinto em novembro de 2022, visa homenagear o magistrado por sua trajetória pública e papel decisivo na proteção das instituições democráticas e no combate à desinformação. Contudo, a entrega do título, ainda sem data definida pela Mesa Diretora, ganha contornos delicados no momento em que o ministro se vê envolvido nas apurações do caso Banco Master.
Investigações da Polícia Federal apontam que Moraes é alvo de apurações relacionadas à sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, instituição financeira que sofreu intervenção e liquidação em novembro de 2025 após registrar um rombo de R$ 40 bilhões. Mensagens obtidas no celular de Vorcaro mostram diálogos com um contato salvo como “Alexandre de Moraes Brasília”, nos quais são solicitados favores de blindagem ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O inquérito também aponta que o ministro teria editado, a partir de um perfil corporativo pessoal, a versão final de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, que recebeu pagamentos da instituição entre 2024 e 2025.
O sigilo das investigações foi levantado pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso, que acionou a Procuradoria-Geral da República e solicitou a avaliação do plenário da Corte. Em nota, Alexandre de Moraes refutou as acusações, negando ter recebido as mensagens encontradas e classificando as revelações como um ataque coordenado contra o Supremo. No mesmo tom, a banca de advocacia de Viviane Barci de Moraes declarou que nunca representou clientes ou atuou em processos que tramitam perante o STF.
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