O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a manutenção da medida que impede o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, de deixar o país ou realizar viagens internacionais. A restrição também permanece para Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga Sodré, empresário baiano e pai do secretário.
Os dois são investigados na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de desvios e fraudes relacionadas ao Banco Master. A decisão que manteve as restrições foi tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações obtidas pelo Bahia Notícias, Eduardo Sodré havia solicitado a liberação temporária do passaporte para participar de compromissos internacionais. Entre eles estava o Programme d’Invitation des Personnalités d’Avenir, na França, previsto para ocorrer entre 14 e 31 de agosto de 2026.
O secretário também pediu autorização para viajar entre 10 e 17 de outubro para participar da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (COP17/UNCCD).
Ministro aponta risco de evasão e estágio inicial da investigação
Entre os argumentos utilizados para manter a restrição estão o estágio inicial das investigações e o risco de evasão, além da necessidade de preservar a coleta de provas.
Mendonça também destacou a existência de indícios relacionados a crimes considerados graves, como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros.
Outro ponto considerado pelo ministro foi a capacidade financeira dos investigados, que, segundo a decisão, poderia facilitar uma eventual permanência prolongada no exterior.
Para o magistrado, o interesse da investigação criminal deve prevalecer sobre compromissos profissionais ou interesses particulares. Além disso, não teriam sido apresentados fatos novos capazes de modificar os fundamentos que levaram à imposição das medidas cautelares.
Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga Sodré, também pediu autorização para deixar o Brasil. Ele pretendia viajar para Veneza, Florença e Roma, na Itália, entre 3 e 13 de setembro de 2026, para participar da 61ª Bienal de Veneza.
Segundo a justificativa apresentada, Guiga participaria como expositor de uma instalação artística que incluiria uma obra de sua coleção pessoal. Ele alegou ainda que as passagens e hospedagens haviam sido adquiridas antes da operação policial e que possui residência e patrimônio lícito no Brasil.
Mesmo assim, o pedido foi rejeitado por André Mendonça.
Com a decisão, permanecem a suspensão do passaporte, o impedimento de saída do país, a proibição de emissão de novo passaporte e a restrição de contato com outros investigados.
A Polícia Federal aponta Guiga como suposto operador e articulador entre o núcleo empresarial ligado ao Banco Master e uma pessoa de confiança do parlamentar investigado, segundo os autos citados no caso.
As investigações apuram suspeitas de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos financeiros. As acusações ainda estão sob investigação e não representam condenação.
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