Mesmo após uma sequência de recomendações formais do Ministério Público do Estado da Bahia e de decisões judiciais em vigor, o prefeito Antônio Calmon segue adotando uma postura de enfrentamento institucional, ignorando determinações que representam a defesa direta do interesse público e dos direitos da população de São Francisco do Conde.

Segundo apuração do JC, de acordo com relato feito em off por um motorista ligado à gestão e ouvido pela redação, Calmon teria ironizado a atuação ministerial do promotor que age firme ao afirmar: “Promotor recomenda, e Calmon governa”. A frase, atribuída ao prefeito, é vista como um gesto explícito de deboche não apenas ao promotor responsável, mas à própria Justiça brasileira, reforçando a imagem de que a gestão municipal se coloca acima das instituições de controle. O gestor continua com espaço aberto para confirmar se usou essa expressão.

Entre os casos mais emblemáticos está o Programa Pão na Mesa, que possui decisão judicial determinando sua execução. Apesar da ordem da Justiça, a Prefeitura não cumpriu integralmente a decisão, aprofundando uma crise social que atinge diretamente famílias em situação de vulnerabilidade, com reflexos no aumento da insegurança alimentar e do desemprego no município.
A conduta de desrespeito também se repete em outras frentes já objeto de recomendações do Ministério Público, como a realização de concurso público, o pagamento da bolsa universitária e técnica, a transparência dos atos administrativos, a apuração de funcionários fantasmas por meio do ponto eletrônico e denúncias de nepotismo na estrutura da administração municipal. Em todos esses pontos, segundo registros e apurações, o MP atuou de forma preventiva e orientadora, sem que houvesse resposta efetiva por parte do gestor. No caso da transparência, o MP poderá solicitar o julgamento antecipado da ação por outro descumprimento do gestor.

Agora, o cenário se agrava com uma nova recomendação do Ministério Público, que determina o restabelecimento imediato do transporte dos estudantes universitários e técnicos, serviço interrompido após um calote que, segundo informações apuradas pelo Jornal Candeias, já dura cerca de 12 meses. Enquanto ignora recomendações e decisões judiciais, o prefeito teria contratado um grande escritório de advocacia, com atuação em âmbito nacional, para defendê-lo das múltiplas denúncias que já repercutem em toda a Bahia.
Ainda de acordo com outro funcionário da administração, também ouvido em off, a orientação interna da gestão, seria partir para o enfrentamento direto contra os veículos de imprensa que noticiam os escândalos, buscando decisões judiciais que resultem em censura prévia das reportagens. Segundo esse relato, o escritório contratado teria garantido que conseguiria esse tipo de decisão.
Nesse contexto, o nome da assessora informal de comunicação, Sheila Pedreira, surge no centro de novas apurações conduzidas pelo Jornal Candeias. Informações preliminares indicam que empresas com ligações familiares a ela estariam recebendo valores elevados de forma recorrente, levantando suspeitas sobre possível direcionamento e favorecimento. Um dos participantes do esquema, segundo a redação, aceitou falar e novas informações serão reveladas em breve.
O Jornal Candeias seguirá acompanhando os desdobramentos, encaminhando as informações apuradas aos órgãos competentes e garantindo o direito da população de ser informada sobre atos que impactam diretamente sua vida, seus direitos e o futuro de São Francisco do Conde.
São Francisco do Conde - BA São Francisco do Conde é uma cidade de forte herança histórica e cultural, marcada pela fé, pela tradição e pela resistência do seu povo. Rica em história e estratégica na Região Metropolitana de Salvador, carrega contrastes profundos entre potencial econômico e realidade social. São Francisco do Conde segue como um território de memória, luta e esperança por dias mais justos e prósperos para sua população. Sensação
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