A abertura dos trabalhos da Câmara Municipal de São Francisco do Conde, realizada hoje, foi marcada por fortes cobranças ao Executivo diante da paralisação do transporte universitário. A ausência do prefeito Antônio Calmon, que deveria fazer a tradicional leitura da mensagem a Câmara, nem chegou a ser notada. O Prefeito que já não governa a cidade há meses, tenta aplicar sumiço, para não ser notificado da Ação Civil Pública, impetrada pelo Ministério Público exigindo o retorno dos ônibus universitários. (Veja Aqui). Caso a liminar seja concedida e não cumprida, a multa diária é de R$ 50 mil por dia.

O tema que dominou os pronunciamentos e expôs o clima de tensão política em torno da crise que atinge diretamente centenas de estudantes. A vereadora Daona Sales afirmou que recebeu cinco universitárias em seu gabinete e demonstrou preocupação com os relatos de que a secretária de Educação, Vanessa Dantas, teria dito que o problema não seria de sua responsabilidade. “Quando eu era diretora da Casa dos Idosos, eu resolvia transporte. Dizer que não é responsabilidade é muito grave”, declarou, ressaltando que os jovens estão sofrendo prejuízos acadêmicos e emocionais.
O vereador Luís de Campinas informou que entrou em contato com o prefeito Antônio Calmon e que o gestor teria garantido que irá conversar com a empresa Atlântico, responsável pelo serviço, para tratar do pagamento do débito acumulado, para que o serviço retorne. A vereadora Sandrinha também cobrou responsabilidade direta da Secretaria de Educação. “É de responsabilidade de Vanessa Dantas. Os estudantes estão fazendo vaquinha para irem estudar em Salvador”, afirmou.
Já a vereadora Lígia Santa Rosa destacou que a Câmara precisa cumprir seu papel fiscalizador e lembrou que recursos foram reservados para atender os estudantes. “Não podemos aceitar que pessoas nomeadas e ordenador de despesa digam que não têm responsabilidade. Para pular Carnaval, estava aqui no meio do povo. Agora, não aparece solução”, criticou.
Lígia ainda citou que o Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do promotor Alysson Batista da Silva Flizikowski, ajuizou Ação Civil Pública para obrigar o prefeito a restabelecer imediatamente o transporte universitário. Na ação, o MP pede decisão liminar para retorno urgente do serviço e a fixação de multa diária de R$ 50 mil, pessoalmente ao prefeito, em caso de descumprimento.
A vereadora Lorena de Reizinho também se manifestou emocionada. “Dizer que não é responsabilidade é um absurdo. Hoje eu recebi ligações de universitários pedindo que eu peça a prefeitos de outras cidades para pegarem o ônibus. É uma vergonha. Não tem empresa nenhuma no mundo que consiga manter o serviço com o débito que existe”, declarou.
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